Desobsessão
A sessão de desobsessão é uma atividade de assistência espiritual destinada ao esclarecimento e auxílio de Espíritos em sofrimento ou envolvidos em processos obsessivos, buscando também contribuir para o equilíbrio das pessoas encarnadas relacionadas a essas situações.
Dentro da visão espírita, o trabalho de desobsessão deve ser conduzido com seriedade, estudo, disciplina, caridade e respeito, evitando curiosidade, sensacionalismo ou qualquer atitude de confronto com o Espírito comunicante.
O objetivo não é combater ou expulsar um suposto inimigo. O Espírito obsessor também é compreendido como alguém necessitado de auxílio, esclarecimento e renovação.
1. A CASA ESPÍRITA E SUAS ATIVIDADES
Uma casa espírita pode desenvolver diferentes atividades de estudo e assistência, entre elas:
• Atendimento fraterno: acolhimento, escuta e orientação das pessoas que procuram auxílio.
• Passes: transmissão de recursos magnéticos e espirituais com finalidade de equilíbrio.
• Água fluidificada: água destinada a receber recursos fluídicos durante a assistência espiritual.
• Palestras e estudos: estudo do Evangelho, das obras espíritas e de temas relacionados ao desenvolvimento moral.
• Tratamento espiritual: conjunto de atividades de assistência destinadas às pessoas que procuram auxílio.
• Reuniões mediúnicas e de desobsessão: trabalhos específicos realizados por equipes preparadas para o intercâmbio e assistência espiritual.
A reunião de desobsessão não é uma atividade de demonstração pública. Participam dela trabalhadores preparados e orientados pela instituição.
2. QUEM PARTICIPA?
Dirigente ou dialogador
É o trabalhador responsável pela condução da reunião e, quando necessário, pelo diálogo com os Espíritos comunicantes.
Precisa cultivar conhecimento doutrinário, equilíbrio emocional, respeito, paciência e capacidade de ouvir.
Seu papel não é discutir ou impor ideias, mas acolher, compreender e esclarecer.
Médiuns
São os intermediários das manifestações mediúnicas.
Dependendo das faculdades apresentadas, podem perceber pensamentos, sentimentos ou a presença dos Espíritos e servir de instrumento para diferentes formas de comunicação.
O médium não trabalha sozinho: integra uma equipe e deve seguir a orientação e a disciplina da reunião.
Trabalhadores de apoio
Auxiliam na sustentação do ambiente, na concentração, na prece e, conforme a organização da casa, na aplicação de passes.
O equilíbrio de todos os participantes contribui para a harmonia do trabalho.
Equipe espiritual
Segundo a compreensão espírita, os trabalhadores encarnados contam com a assistência de Espíritos benfeitores.
A eles são atribuídas atividades de amparo, orientação e encaminhamento dos Espíritos necessitados, dentro das possibilidades e necessidades de cada caso.
3. PREPARAÇÃO PARA A REUNIÃO
O trabalho começa antes da reunião propriamente dita.
Os participantes devem procurar manter equilíbrio físico e emocional, evitando excessos, conflitos e comportamentos que dificultem a concentração.
São recomendáveis:
• alimentação equilibrada;
• serenidade e recolhimento;
• leitura edificante;
• prece;
• vigilância dos pensamentos;
• disposição sincera para servir.
Mais importante do que qualquer ritual externo é a qualidade moral e mental dos participantes.
4. PRECE DE ABERTURA
A reunião normalmente começa com uma prece.
É um momento de recolhimento no qual os participantes procuram harmonizar os pensamentos e estabelecer sintonia com os propósitos elevados do trabalho.
A prece deve ser simples e sincera.
Não é necessário utilizar palavras especiais ou fórmulas decoradas. O valor da oração está principalmente na intenção e no sentimento de quem ora.
5. LEITURA E REFLEXÃO
Pode ser realizada uma breve leitura de conteúdo edificante, frequentemente de obras espíritas ou do Evangelho.
A leitura ajuda os participantes a direcionarem o pensamento para valores como:
• amor;
• perdão;
• esperança;
• fraternidade;
• responsabilidade;
• renovação moral.
O objetivo é favorecer um ambiente mental adequado ao trabalho que será realizado.
6. MANIFESTAÇÃO DOS ESPÍRITOS
Durante a reunião, os médiuns entram em concentração e podem ocorrer manifestações de Espíritos necessitados de auxílio.
Essas comunicações podem apresentar características diferentes de acordo com a faculdade do médium e as condições do comunicante.
Podem ocorrer, por exemplo:
• psicofonia;
• percepção intuitiva;
• manifestações conscientes ou parcialmente conscientes;
• outras formas de percepção mediúnica.
O fenômeno não constitui o objetivo principal da reunião. A finalidade é a assistência.
7. O DIÁLOGO COM O ESPÍRITO
Quando ocorre uma comunicação, o dialogador procura compreender a situação daquele Espírito.
Muitos podem apresentar sofrimento, revolta, culpa, medo, desejo de vingança ou forte ligação com acontecimentos do passado.
O diálogo deve ser conduzido sem julgamento.
Procura-se ajudá-lo a perceber sua própria condição e compreender que a permanência no ódio e no sofrimento prolonga também sua própria dor.
O perdão, nesse contexto, não significa simplesmente esquecer o passado, mas começar a libertar-se dele.
O obsessor não é um demônio
Na compreensão espírita, não existem seres eternamente destinados ao mal.
Um Espírito que pratica a obsessão continua sendo um Espírito em processo de evolução.
Pode estar equivocado, revoltado, vingativo ou profundamente perturbado, mas permanece capaz de aprender e transformar-se.
Por isso, a atitude adequada diante dele deve ser de firmeza, respeito e compaixão, e não de ódio ou medo.
8. ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL E MAGNÉTICA
Enquanto ocorre o trabalho mediúnico, a Doutrina Espírita admite a atuação dos Espíritos benfeitores por meio de recursos fluídicos e magnéticos.
Em determinadas obras complementares e correntes espiritualistas também aparecem descrições de estruturas ou ligações energéticas popularmente chamadas de “implantes espirituais”.
Esse termo não pertence à terminologia original utilizada por Allan Kardec.
Nessas interpretações, o tratamento espiritual poderia envolver:
• auxílio no desligamento de vínculos magnéticos;
• passes e recursos fluídicos;
• harmonização do perispírito;
• assistência ao Espírito comunicante;
• auxílio à pessoa encarnada envolvida no processo.
Essas descrições devem ser compreendidas dentro do contexto espiritualista em que são apresentadas, evitando transformá-las automaticamente em explicações para sintomas físicos ou psicológicos.
9. ENCAMINHAMENTO DO ESPÍRITO
Após o diálogo e a assistência recebida, o Espírito poderá apresentar diferentes reações.
Alguns compreendem rapidamente sua situação.
Outros permanecem resistentes.
Há também aqueles que necessitam de acompanhamento e auxílio durante um período maior.
Segundo a visão espírita, os benfeitores espirituais dão continuidade ao atendimento de acordo com as necessidades e possibilidades de cada Espírito.
O trabalho dos encarnados é apenas uma parte de um processo mais amplo de assistência.
10. PRECE DE ENCERRAMENTO
Ao final, realiza-se nova prece.
É momento de agradecimento, recolhimento e encerramento das atividades.
Pede-se auxílio para os Espíritos atendidos, para as pessoas relacionadas aos casos e para os próprios trabalhadores.
A reunião então é encerrada de maneira tranquila e disciplinada.
11. O TRABALHO NÃO TERMINA NA REUNIÃO
A desobsessão não deve ser entendida como uma solução isolada.
A pessoa que recebe assistência também precisa participar de seu próprio processo de transformação.
São fundamentais:
• oração;
• estudo;
• prática do bem;
• abandono de hábitos prejudiciais;
• perdão;
• vigilância dos pensamentos;
• reforma íntima.
Se permanecem os mesmos sentimentos, comportamentos e padrões mentais que favorecem determinada sintonia, novas influências podem encontrar condições semelhantes.
Por isso, desobsessão também significa educação e transformação moral.
12. SIGILO E RESPONSABILIDADE
As informações relacionadas às reuniões devem ser tratadas com discrição.
Relatos envolvendo médiuns, pessoas atendidas ou comunicações espirituais não devem transformar-se em assunto de curiosidade.
O sigilo demonstra respeito pelos envolvidos e ajuda a preservar a seriedade do trabalho.
FLUXO SIMPLIFICADO DA REUNIÃO
PREPARAÇÃO
↓
PRECE DE ABERTURA
↓
LEITURA E HARMONIZAÇÃO
↓
MANIFESTAÇÃO MEDIÚNICA
↓
DIÁLOGO E ESCLARECIMENTO
↓
ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL
↓
ENCAMINHAMENTO
↓
PRECE DE ENCERRAMENTO
REFLEXÃO FINAL
A desobsessão é, acima de tudo, um trabalho de caridade.
De um lado pode existir alguém encarnado sofrendo uma influência espiritual. Do outro, frequentemente existe também um Espírito preso à dor, ao ressentimento ou à ignorância.
O propósito do trabalho não é escolher um culpado e combater um inimigo.
É procurar auxiliar todos os envolvidos.
A palavra esclarece.
A prece ampara.
O passe auxilia.
O perdão liberta.
A caridade transforma.
E a reforma íntima ajuda cada pessoa a construir, dentro de si mesma, melhores condições de equilíbrio e liberdade espiritual.
- Exemplo de caso real (fictício, mas baseado em relatos)
Caso: Uma mulher com depressão profunda, pensamentos suicidas, dores no corpo sem causa médica.
Na sessão:
· O obsessor se manifesta: um ex-namorado de outra encarnação.
· Ele implantou um "chip" no perispírito dela para sugar energia vital.
· O chip causava: cansaço, tristeza, dores no peito.
· O doutrinador conversa com ele, mostra que ela não era a mesma pessoa que o traiu.
· O obsessor chora, aceita a orientação.
· Os benfeitores retiram o chip, tratam a lesão.
· O espírito é encaminhado a um hospital espiritual.
· A mulher, sem saber da sessão, sente alívio nos dias seguintes.