A palavra transe, em geral, é entendida como qualquer alteração no estado de consciência.
É um estado especial, entre a vigília e o sono, que abre as portas do subconsciente.
O estado de transe não significa a supressão da consciência, mas sua interiorização. Mesmo nos estágios mais profundos, a consciência permanece vigilante, como um sistema secundário ainda ativo.
2. GRAUS DO TRANSE
O transe pode ser superficial ou profundo, havendo gradações entre esses dois estados. O transe parcial encontra-se entre esses extremos.
No transe superficial, não há amnésia lacunar. A pessoa recorda-se de tudo e pode, inclusive, pôr em dúvida se realmente permaneceu em transe.
O transe profundo, ou sonambulismo, é caracterizado pela extrema sugestibilidade e pela amnésia lacunar.
No transe profundo, a pessoa fica, em geral, inconsciente. Alguns estudiosos julgam que ela entra em sono magnético ou hipnótico.
Nessas condições, o corpo fluídico exterioriza-se e desprende-se do corpo carnal, deixando a alma mais livre, emancipada.
Não ocorre, porém, a separação absoluta, o que causaria a morte. Um laço invisível continua a prender a alma ao seu corpo.
Semelhante a um fio telefônico, esse laço fluídico permite à alma transmitir suas impressões pelos órgãos do corpo adormecido.
Outros estudiosos entendem que o transe não é um estado de sono, independentemente de ser superficial ou profundo, natural ou sob ação magnética.
No sono, a consciência não está preservada. No transe, entretanto, há preservação da consciência, mesmo quando provocado por hipnose, sobretudo se o hipnotizador ordenar ao hipnotizado que aja como se estivesse acordado.
Estudos eletroencefalográficos mostram diferenças entre a atividade elétrica do cérebro durante o transe e durante o sono, indicando que são fenômenos distintos, apesar de semelhantes.
3. DURAÇÃO DO TRANSE
O transe pode ser fugaz e imperceptível para as pessoas ao redor, como um súbito mergulho no inconsciente.
Também pode ser prolongado, apresentando alterações visíveis do estado psíquico.
4. MECANISMOS DO TRANSE
O mecanismo básico do transe consiste numa onda inibitória que “varre” a superfície cerebral.
O transe pode colocar o indivíduo em contato mais íntimo consigo mesmo e com sua personalidade integral subconsciente.
Em qualquer grau em que se manifeste, há sempre um conteúdo anímico da pessoa em transe.
Isso também ocorre quando o fenômeno é de origem mediúnica. Mesmo quando o médium entra em transe profundo e não se recorda posteriormente do conteúdo da mensagem espírita transmitida, percebe-se que o Espírito comunicante retira dos arquivos mentais do médium elementos necessários para produzir a comunicação.
COMO O ESPÍRITO TEM ACESSO AOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA?
Tudo ocorre em nível mental, seja do comunicante, seja do médium.
Apenas hipóteses podem ser lançadas sobre o fenômeno.
Esse acesso que os Espíritos têm ao inconsciente do médium, naturalmente com a permissão deste, é observado nas comunicações mediúnicas em línguas estrangeiras que, muitas vezes, o médium não conhece na atual encarnação.
5. TIPOS DE TRANSE
Os transes podem ser classificados em:
a) transe patológico;
b) transe espontâneo;
c) transe provocado.
TRANSE PATOLÓGICO
O transe patológico é causado por morbidades como delírio febril, traumatismos — particularmente os cranioencefálicos —, estado de coma e período pré-agônico.
São algumas condições que suprimem ou modificam as relações com o mundo exterior e fazem surgir, eventualmente, o transe.
Um caso comum é o dos epilépticos e histéricos. Durante a crise convulsiva e depois dela, a pessoa pode permanecer por longo tempo como que abobada ou desligada, falando coisas sem nexo e sem noção de espaço e tempo.
TRANSE ESPONTÂNEO
Os transes espontâneos ocorrem em pessoas naturalmente predispostas, como médiuns e sonâmbulos.
TRANSE PROVOCADO
As principais formas de transe provocado são:
• hipnótico;
• mediúnico;
• anímico;
• químico.
TRANSE HIPNÓTICO
O transe hipnótico é uma variante do processo do sono. É um sono experimental, provocado, que se aprofunda como no sono normal.
A inibição da atividade cerebral leva a pessoa a dormir.
Podem ser utilizados estímulos luminosos repetidos, que cansam a zona da visão, produzindo inibição do consciente da pessoa que está sendo hipnotizada e levando-a ao transe.
No hipnotismo vígil, o sujeito obedece às sugestões plenamente acordado.
O hipnotizador utiliza a sugestão magnética com auxílio de objetos, como pêndulo, diapasão e focos luminosos, entre outros, introduzindo na subconsciência um sentimento ou impulso que escapa ao crivo racional e se cumpre automaticamente, desde que não entre em conflito com seus princípios morais.
Quando o indivíduo sugestiona a si próprio, chamamos de autossugestão.
Quando outra pessoa lhe sugere algo, chamamos de heterossugestão.
O HIPNOTISMO ATRAVÉS DA HISTÓRIA
O fenômeno hipnótico é conhecido desde a Antiguidade.
No Egito faraônico, os sacerdotes já pesquisavam os fenômenos psíquicos. Havia templos dedicados ao sono, onde eram realizadas experiências hipnológicas.
Os taumaturgos caldeus praticavam o hipnotismo com finalidades terapêuticas.
No século XVI, Paracelso, autor do conceito e da teoria do fluido, já se interessava por experiências magnéticas.
No século XVIII, Frederico Antônio Mesmer mostrou, na prática, o uso do hipnotismo e do magnetismo para curas.
TRANSE MEDIÚNICO
O transe mediúnico, provocado por um Espírito, oferece diferentes gradações conforme o gênero da mediunidade.
Na mediunidade sonambúlica e na materialização, por exemplo, o transe é mais profundo em decorrência da ação espiritual.
Há Espíritos cuja manifestação induz a transes mais profundos ou mais superficiais.
MÉDIUNS ESCREVENTES
Há médiuns escreventes mecânicos, nos quais o médium não tem consciência do que escreve.
Os médiuns escreventes intuitivos têm consciência do que escrevem, embora não exprimam seu próprio pensamento.
O médium semimecânico participa de ambos os gêneros. Sente que uma impulsão é dada à sua mão, independentemente de sua vontade, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve à medida que as palavras se formam.
Assim:
• no médium mecânico, o pensamento vem depois do ato da escrita;
• no médium intuitivo, o pensamento precede a escrita;
• no médium semimecânico, o pensamento acompanha a escrita.
TRANSE ANÍMICO
O transe anímico, ou sonambúlico, é provocado pela própria pessoa ao se desligar parcialmente do corpo físico.
Esse tipo de transe favorece a manifestação dos fenômenos de emancipação da alma, como:
• bicorporeidade;
• dupla vista;
• êxtase;
• catalepsia;
• letargia;
• sonambulismo;
• transfiguração.
TRANSE QUÍMICO
O transe químico é produzido pela ação de substâncias químicas.
Desde a Antiguidade, recorreu-se ao uso de certas drogas em rituais religiosos.
No Brasil, o álcool é usado em alguns cultos africanistas. Os mexicanos utilizavam o cacto mescal.
Há também o transe provocado por narcóticos, psicotrópicos e excitantes, que podem levar a pessoa a estados de transe conforme a dose e o tipo de substância.